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Deu no New York Times…

As lendas urbanas parecem ter tomado o lugar das medievais na cultura popular contemporânea. Seriam os equivalentes aos “causos” do interior sobre boitatás e lobisomens. E nisso os países “desenvolvidos” estão (como sempre) a nossa frente. Eles já passaram pelo período de especulação imobiliária tomando tudo, invadindo e desmatando áreas sem pensar nas conseqüências a natureza. Os pioneiros da revolução industrial tiveram o prazer de sentir as conseqüências dos inchaços nas cidades trazendo levas de migrantes para trabalhar nas fábricas.

E assim, histórias de jacarés entrando pelo esgoto (como ratos) em cortiços também eram comuns, como essa notícia do New York Times de 1935, transcrita (em inglês) nesse site. Notem o “prefácio” enfatizando que “apesar da história vir de um jornal com a reputação do New York Times ela merece ser tratada com ceticismo”.

Assim nasceu (em Nova York) a lenda urbana do jacaré que pode sair de um bueiro e atacar uma criança indefesa. Lenda que já foi aproveitada pela indústria cultural (vide post anterior) e virou um belo filme ruim: Alligator.

Nós não temos um jornal como New York Times, mas temos seu equivalente mais próximo, Jornal do Almoço, que fez essa reportagem em 2008 e conclama a “convivência relativamente pacífica” entre as duas espécies. Destaque nesse vídeo para o desempenho do mestre de cerimônias Mário Motta, largando duas pérolas, uma no início e outra no fim:

E com youtube quem precisa de Jornal do Almoço? Jacarés na cidade já são banais:

Talvez tenham conseguido a “convivência pacífica” com o grande monstro, antes que ele ameaçasse a sociedade capitalista liberal lá em Nova York. Ou talvez tenham simplesmente o exterminado. Mas a culpa tem permeado o inconsciente coletivo da classe média e denegrido em formas distorcidas de expressão, como nas versões apelativas de filmes estilo Alligator. E até hoje o New York Times dá noticias semelhantes aquela e não percebe.

As lendas podem ganhar, invés de explicações céticas, versões ainda mais criativas e fantasiosas, e por que não… poéticas. Como na citação feita no quadrinho inglês Kid Eternidade de Grant Morrison, em que um personagem fala:

“Você pega filhotes de jacaré trazidos como lembranças da flórida e quando eles começam a crescer, bem, as pessoas apenas jogam elas pela privada. Igual quando você joga erva e outras merdas pela privada quando a polícia dá uma batida.”

“Você já ouviu a da erva branca que cresceu lá embaixo? Maconha que nunca viu a luz do dia e supõe-se que seja a melhor de todas já fumada. Mas, ninguém consegue chegar perto por causa dos jacarés.”

“Ninguém exceto os bebês. Porque você tem todos aqueles fetos que desceram pela descarga e toda a droga e os jacarés crescendo por lá.”

“E os bebês cegos cavalgam nas costas do jacaré albino fumando maconha, certo?”

“Essa é a explicação para a fumaça vinda dos esgotos”.

E assim nascem as lendas urbanas. E se a lenda for mais interessante que a realidade, publique a lenda…

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