Posts Marcados jurerê

Flagra…

Domingo de praia? Nada! Não pára de chover na ilha. E já causou estragos e tragédias aqui e em outros lugares. Com tanta água para todos os lados (agora a ilha está cercada de água até por cima) jacarés saem nadando a esmo pelas áreas alagadas, deixando os banhados onde vivem e mostrando os olhinhos em alguma poça qualquer.

Cuidado. Uma hora, enquanto você corre da chuva pulando as poças de água, pode cruzar com ele… na esquina.

Anúncios

, , ,

Deixe um comentário

Não confie em ninguém com mais de 32 dentes

Da contribuição e um amigo e uma rápida pesquisa na internet temos várias notícias, algumas bizarras, de jacarés atacando em zonas rurais ou urbanas. Vamos algumas delas:

Essa notícia foi mandada pelo camarada Renato, membro ativo (ops) da cooperativa do filme do Jacaré. No caso um pobre animal comia as criações de uma fazenda no interior do Rio de Janeiro. O nome da cidade chama mais atenção: Paciência.

E também em Florianópolis onde repete a lenda de Nova York e um jacaré fica preso dentro de uma tubulação de esgoto no bairro Trindade. A notícia é do início de 2010.

Essa aqui é de 2007, já mostra que na cidade as coisas são sempre multiplicadas pela população que circula em maior quantidade. Num parque da cosmopolita Curitiba, os passantes testemunharam quando um jacaré atacou um cão vira-lata que chegou a beira do lago. Pânico geral, e o aviso do biólogo parece chamada de filme de terror “ele pode ser mais rápido do que você imagina”.

Agora essa história que aconteceu em agosto desse ano foi a mais incrível. Uma jovem pesquisadora vivia numa casa flutuante na reserva Marimauá no Amazonas, um jacaré vivia sob a casa e convívia tranquilamente com ela e inclusive ganhou o apelido de Dorotéia. Talvez por ser na verdade um macho ele não tenha gostado do apelido, a verdade é que sem mais nem menos ele atacou a pesquisadora, mordeu sua perna e a arrastou para o fundo do rio. A “técnica” do animal é essa mesma, o jacaré fica parado sob o espelho dágua com apenas os olhos e as narinas para fora, esperando o momento em que a vítima se descuida, então ataca, morde a vítima e a puxa para o fundo girando de maneira a afogá-la mais rápido. No caso da bióloga, ela conseguiu fazer o jacaré soltá-la (com uma técnica parecida com os 5 dedos da morte de Pai Mei,  leia na notícia) mas ja sem a perna. Ela conseguiu subir e chamar ajuda pelo rádio.

A bióloga Deise Nishimura que perdeu uma perna no ataque do Jacaré "Dorotéia"

Na wikipedia (dos EUA) tem até uma lista com os ataques de Alligators (o jacaré deles) por ano. E casos como da bióloga também não são incomuns, como essa notícia de um adolescente que perdeu a mão num ataque parecido na Flórida.

Traiçoeiro? Vil? Ardiloso? Maquiavélico? Esses são valores criados pela natureza humana, assim como honra, confiança, justiça… A natureza dos predadores é a de sobreviver, e criar estratégias pra isso. Os lobos atacam em matilhas justamente para garantir a vitória em maior número. O tigre espreita as manadas em busca do mais fraco e mais frágil. Os jacarés não estabelecem empatia, aquele que estiver mais próximo pode ser escolhido como vítima hoje. Como a história do ambientalista Timothy Treadwell que foi viver com os ursos para defendê-los e acabou devorado por eles.  Só a natureza do homem pode dar valor as coisas, pode ir da mais baixa traição ao mais devotado amor, mas sempre consciente disso.

, , , ,

Deixe um comentário

Deu no New York Times…

As lendas urbanas parecem ter tomado o lugar das medievais na cultura popular contemporânea. Seriam os equivalentes aos “causos” do interior sobre boitatás e lobisomens. E nisso os países “desenvolvidos” estão (como sempre) a nossa frente. Eles já passaram pelo período de especulação imobiliária tomando tudo, invadindo e desmatando áreas sem pensar nas conseqüências a natureza. Os pioneiros da revolução industrial tiveram o prazer de sentir as conseqüências dos inchaços nas cidades trazendo levas de migrantes para trabalhar nas fábricas.

E assim, histórias de jacarés entrando pelo esgoto (como ratos) em cortiços também eram comuns, como essa notícia do New York Times de 1935, transcrita (em inglês) nesse site. Notem o “prefácio” enfatizando que “apesar da história vir de um jornal com a reputação do New York Times ela merece ser tratada com ceticismo”.

Assim nasceu (em Nova York) a lenda urbana do jacaré que pode sair de um bueiro e atacar uma criança indefesa. Lenda que já foi aproveitada pela indústria cultural (vide post anterior) e virou um belo filme ruim: Alligator.

Nós não temos um jornal como New York Times, mas temos seu equivalente mais próximo, Jornal do Almoço, que fez essa reportagem em 2008 e conclama a “convivência relativamente pacífica” entre as duas espécies. Destaque nesse vídeo para o desempenho do mestre de cerimônias Mário Motta, largando duas pérolas, uma no início e outra no fim:

E com youtube quem precisa de Jornal do Almoço? Jacarés na cidade já são banais:

Talvez tenham conseguido a “convivência pacífica” com o grande monstro, antes que ele ameaçasse a sociedade capitalista liberal lá em Nova York. Ou talvez tenham simplesmente o exterminado. Mas a culpa tem permeado o inconsciente coletivo da classe média e denegrido em formas distorcidas de expressão, como nas versões apelativas de filmes estilo Alligator. E até hoje o New York Times dá noticias semelhantes aquela e não percebe.

As lendas podem ganhar, invés de explicações céticas, versões ainda mais criativas e fantasiosas, e por que não… poéticas. Como na citação feita no quadrinho inglês Kid Eternidade de Grant Morrison, em que um personagem fala:

“Você pega filhotes de jacaré trazidos como lembranças da flórida e quando eles começam a crescer, bem, as pessoas apenas jogam elas pela privada. Igual quando você joga erva e outras merdas pela privada quando a polícia dá uma batida.”

“Você já ouviu a da erva branca que cresceu lá embaixo? Maconha que nunca viu a luz do dia e supõe-se que seja a melhor de todas já fumada. Mas, ninguém consegue chegar perto por causa dos jacarés.”

“Ninguém exceto os bebês. Porque você tem todos aqueles fetos que desceram pela descarga e toda a droga e os jacarés crescendo por lá.”

“E os bebês cegos cavalgam nas costas do jacaré albino fumando maconha, certo?”

“Essa é a explicação para a fumaça vinda dos esgotos”.

E assim nascem as lendas urbanas. E se a lenda for mais interessante que a realidade, publique a lenda…

, , , , , , ,

1 comentário