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Fanfilms – Filmes feitos por amor

Os fanfilms começaram a surgir junto com as primeiras faculdades de cinema nos anos 60, quando os alunos se juntavam para por em prática o que aprendiam nas aulas e usavam seus heróis de infância como inspiração. O papa da pop art, Andy Warhol, patrocinou uma dessas experiências cinematográficas e produziu Batman Vs Drácula em 1964.

A principal fonte eram os super-heróis dos quadrinhos. A partir dos anos 70 começam a surgir convenções de quadrinhos – as comic-cons, sendo a principal de San Diego – e os fãs começam a trocar “figurinhas”, literal e metaforicamente. Nos anos 80 temos a febre das fitas VHS e do home vídeo, que barateia a produção e distribuição desses filmes e vídeos caseiros.

Nesse tipo de manifestação cultural, os meios de produção e o mercado consumidor se misturam. São filmes feitos por fãs-nerds para fãs-nerds, sem outra compensação além dos laços de amizade. A série Star Wars por exemplo, grande fenômeno midiático da época, produziu um sem número de filmes e vídeos em sua homenagem que eram trocados entre os próprios fãs.

Chad Vader - paródia clássica no youtube

A maior parte desses fanfilms ficou obscura e se tornou irrelevante no âmbito da cultura de massa.

O primeiro fanfilm a romper a barreira das convenções de quadrinhos, e ter “aura cult”, foi Batman Dead End de Sandy Collora. Feito em 2003, Dead End aproveita o vácuo deixado pelo fiasco das versões de Joel Schumacher (Batman Eternamente, Batman & Robin) e ao mesmo tempo aponta um caminho que acabou sendo seguido depois pelas novas produções dirigidas por Cristopher Nolan. Collora, com uma boa produção apesar de simples, abandona as outras visões de Batman no cinema e o aproxima mais dos quadrinhos. Um herói fantasiado, cujo cinto de utilidades é uma espécie de pochete e que usa lentes brancas nos olhos. Só é preciso abstrair as aparições de Alien e Predador que só se justificam pelas cenas de ação. Outro destaque desse filme é o Coringa, com texto da história Piada Mortal, está muito mais alucinado do que qualquer outra versão, mesmo a consagrada por Heath Ledger. Aliás merece nota o suícidio do ator que o interpretou, Andrew Koenig.

Batman anabolizado e Coringa alucinado

Mas quando as pessoas amam incondicionalmente algo geralmente perdem seu senso crítico, e o próprio senso de ridículo. Correm o risco de fazerem uma homenagem exageradamente indulgente ao seu objeto de culto. E conseqüentemente não serem nada interessantes para quem não conhece a obra. Se levar a sério demais é um problema. É o que acontece com alguns fanfilms da série Senhor dos Anéis, como Hunt for Gollun e Born of Hope. Sua pretensão de seguir fielmente a estética e estilo dos filmes de Peter Jackson (que começou a carreira com maravilhosos filmes trash) os torna simples cópias de segunda mão. E com atores ruins.

Born of Hope - só para fãs roxos de Senhor dos Anéis

Por outro lado, a paródia sempre foi um terreno rico para os fanfilms. Observar as falhas e clichês das histórias originais, e exagerá-los, foi a principal fonte de idéias para os fãs. Ainda que seja difícil escapar do óbvio e do mau-gosto, o humor sempre tem apelo popular garantido fora do eixo dos fã-clubes. É o caso de Star Wreck: In the Pirkinning de 2005, um filme longa metragem feito por fãs finlandeses de Jornada nas Estrelas misturado aos fãs de Babylon 5. Levou 4 anos para ser feito contando com a ajuda de uma centena de fãs. Foi um grande sucesso e levou seus produtores a criar um projeto totalmente original: Iron Sky. Conta a história maluca de nazistas que ao final da segunda guerra fogem para a Lua (!) e agora estão de volta para finalmente dominar o mundo.  Mantendo a concepção totalmente independente, no site oficial eles vendem “bônus de guerra” (igual aos “papéis” que os governos vendiam na época para financiar seus exércitos) e assim eles financiam sua própria produção com ajuda de pessoas comuns.

E assim, os fanfilms se configuram no mercado independente, uma nova maneira de se produzir filmes e cultura. Como ouvi um hippie uma vez falar: “e se trocássemos a lógica do capital pela lógica do amor?”, não diria tanto, mas diria “e se trocássemos a lógica do interesse pessoal pela lógica do prazer de juntar amigos para produzir algo em comum e se divertir fazendo?” É esse o interesse aqui. É um dos motivos de criarmos o Jacaré do Papo Amarelo.

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