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O Verdadeiro Mágico dos Efeitos Especiais

Quando o cinema nasceu, ele não era mais do que uma curiosidade de feira. Poucos viam nessa brincadeira extravagante uma serventia além das fotos em movimento. Quando os irmãos Lumiére faziam suas exibições públicas eles próprios pensavam que seu invento não passava de uma “moda passageira”, um frisson que logo seria ultrapassado por algum outro invento curioso. Tanto que quase convenceram George Méliès a desistir de comprar um de seus cinematógrafos: “Ela pode ser explorada durante algum tempo como curiosidade científica, mas, fora disso, não tem nenhum futuro em termos comerciais” disse o pai dos irmãos inventores, Antoine Lumiére (leia aqui).

Vamos lembrar que o ano é 1895 e as feiras, circos e parques, são os principais locais de diversão pública – e barata. Nesses locais havia atrações como carrosséis, animais amestrados, a barraquinha com Monga A Mulher Gorila, outra com os freaks (pessoas deformadas como o Homem Elefante) e a barraquinha do cinematógrafo exibindo inocentes filmes do cotidiano. As pessoas pagavam dois centavos para se assombrar com O Trem Chegando a Estação, que vinha em direção a tela e parecia que ia invadir o recinto.

Fã de Houdini, George Mélies usou o cinema nas suas prestidigitações

George Méliès era um empresário do ramo de Variedades, tinha comprado o teatro em Paris que tinha sido do grande mestre Houdini. Fã deste, ele também era ilusionista e no teatro fazia suas apresentações de mágica junto com outros espetáculos. Pensou em acrescentar o cinematógrafo como mais uma novidade. Mas um dia, enquanto filmava, a geringonça deu defeito e travou. Ao conseguir consertar ele voltou a filmar da onde tinha parado e depois percebeu o efeito que causava: as pessoas pareciam sumir em cena. Logo ele percebeu que tinha a máquina de ilusões perfeita.

A partir de efeitos artesanais (feitas mecanicamente ou diretamente na película), Méliès criou histórias fantásticas, foi a lua, viajou pelo impossível, enfrentou demônios negros, manipulou tempo e espaço. Fez mágicas. Aproveitou as possibilidades técnicas com toda a criatividade de um artista. Seu filme de maior sucesso foi uma adaptação de Julio Verne, Viagem a Lua, que foi homenageado no clip do Smashing Pumpkins: Tonight, Tonight.

Comparando o livro com o filme, Verne tenta ser fiel nas explicações científicas, já Méliès usa da paródia inconseqüente. Na cena do tiro, por exemplo, enquanto no livro a viagem dentro da bala leva dias, no filme a bala acerta quase imediatamente o rosto da Lua, numa cena que se tornou icônica. Méliès satirizava as elites intelectuais e seu cientificismo barato ao comparar seu grande engenho com uma arma comum que disparava contra um objeto no céu.

Méliès foi dos primeiros a perceber que podia contar uma história com as imagens. Ele não conhecia a linguagem cinematográfica, não utilizava corte em continuidade, closes, nem nada disso. Talvez, pela característica dos efeitos que usava, a câmera estava sempre fixa, num plano aberto, diante de um cenário onde os atores atuavam.

Com o tempo e outros pensadores (Griffith, Einsestein), a linguagem cinematográfica foi se aprimorando e se intelectualizando. Saiu dos circos e feiras e criou sua própria rede de exibição. Também angariou um público seleto. Mas aí, quando o aspecto artesanal se perde, Méliès entra em decadência. Durante a primeira guerra seus filmes (películas de celulose) são transformados em matéria prima para fabricar sapatos. Falido, seu teatro é demolido, e termina seus dias vendendo brinquedos na França. Morre em 1938 no esquecimento.

Segundo o site Early Cinema, a contribuição de Méliès ao cinema estava na combinação de elementos tradicionais do teatro e shows de variedades com as imagens em movimento. Ele buscava apresentar espetáculos que não eram possíveis nos shows ao vivo. Inventou o cinema de entretenimento.

E o jacaré? O que tem haver com isso?

A estética do Jacaré do Papo Amarelo está ligado a esse lado artesanal e assumidamente burlesco. É só olhar todas as citações no clip de Tonight Tonight: os cenários teatrais, os exageros dos atores, os efeitos simples e a vontade de se deixar contaminar pela fantasia. Não quer dizer que os atores terão que se vestir como no século passado, nem que os cenários serão pintados, mas o espírito irônico e artesanal estará presente.

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5 dicas para fazer um curta de sucesso

Para quem interessar possa, e acreditar também. Nesse programa da BBC inglesa o crítico Mark Demode apresenta cinco dicas para fazer um curtametragem de sucesso, e aponta exemplos como o brasileiro Vinil Verde. Apesar do tom de ironia, as dicas são bem interessantes e válidas. Confira:

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O Jacaré Ataca!!!

Este é o primeiro post do blog. Estou dando o start no projeto, já tão acalentado, de fazer um filme trash, em regime de cooperativa, para criticar a especulação imobiliária e a intromissão agressiva nos ecosistemas da ilha. A inspiração é óbvia: o escândalo Moeda Verde (que já faz 3 anos) e os relatos de aparição de jacarés nos córregos do Santa Mônica, inclusive nos arredores do Shopping Iguatemi. Estes eventos já são, por si só, uma ironia que não poderia passar em vão pela cultura de massa de Florianópolis.

Então basicamente é a história de um jacaré gigante que surge da poluição e ataca o mega-empreendimento que invadiu o seu mangue.

Clique na aba “Projeto” para conhecer a verdadeira idéia por trás do Jacaré do Papo Amarelo, assim como nas outras abas para ter maiores informações. O blog será atualizado então pode visitá-lo com periodicidade.

É uma tragicomédia da qual já conhecemos o fim. É uma crítica aos valores da sociedade, aos empresários inescrupulosos, mas também aos consumidores, nós mesmos.

E sobretudo, é uma diversão criticar a sociedade.

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