O Monstro

A inspiração para O Jacaré do Papo Amarelo está além de eventos históricos. A estética vem de outras referências, de filmes B (C, D, E, até Z), da própria cara de pau e auto-ironia (às vezes inconsciente) de produtores independentes de filmes de terror mundo afora. Não só nos EUA, mas do Japão, da Itália, países do Leste Europeu, e até do Brasil.

Ator na pele do Godzilla faz uma pausa para o chá

A estética trash é uma escolha não por simples falta de recursos (claro que é uma determinante também…), mas por amor a uma ideologia de produção não vinculada a grandes orçamentos de grandes produtoras. Então não espere efeitos especiais digitais, ritmo de videogame, som dolby digital, nem participação do Bruce Willis.

O trash envolve muito da cultura popular (às vezes confundida com vulgar) mas tão genial em sua espontaneidade, que nos surpreende num mar de cópias baratas que saem das linhas de produção. O artesanato das feiras populares, por exemplo, se aproxima daquilo que a indústria sacrificou em prol da massificação: a criatividade. A invenção, a tessitura, dá personalidade às coisas que são produzidas. Tem muito do humano em sua dedicação, e muito pouco do burocrático apertar de botões. A indústria do cinema nasceu assim, com câmeras a manivela, trucagens e sobreposições feitas diretamente na película usando tesoura e cola. Ou na construção de pequenas “ilusões” diante da câmera. Só pra citar nomes de alguns destes artesãos temos George Mélies e Ray Harryhausen.

Ray Harryhausen e seus bonecos stop motion.

Os filmes trash acabam adquirindo a especificidade do lugar em que foram produzidas (que o diga Zé do Caixão). Cada país tem sua indiossincrassia. Cada cidade e região têm as suas qualidades (e defeitos) ainda mais refinadas. Os materiais disponíveis no lugar, as ferramentas, os indivíduos e seus conhecimentos envolvidos, o mercado consumidor; isto tudo deixa uma marca identificável nos filmes… Como cada um tem o sotaque de sua região de origem que marca sua forma de se expressar. Os filmes franceses tem os seus, os italianos os seus, os ingleses, espanhóis, asiáticos, iranianos… e por aí vai.

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Por isso, na construção de nosso monstro não há nenhuma intenção de ser “realista”. O que pretendemos é a fantasia, uma representação cartunizada da realidade. Usando aquilo que temos de nossa própria identidade local, e tornando-o universal.

E assim será nosso Jacaré Gigante. Uma cabeça assustadora, olhos penetrantes, um monstro gigantesco capaz de derrubar World Trade Centers.

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