Arquivo de julho \22\UTC 2011

Revolução Animal

Até agora eu, everson, é que assinei todos os posts no blog do jacaré, quase como um ghost-writer do protagonista. Mas dessa vez ele pede licença para escrever de própria pata. Depois de muito tempo observando e amadurecendo sua própria análise da sociedade humana e da maneira como ela tiraniza os animais, ele se sente não só preparado, mas obrigado, a conclamar: BICHOS DO MUNDO, UNI-VOS!

Um espectro corre nas residências tranquilas da classe média abobalhada; o espectro da revolução animal. Seus bichos de estimação os conhecem bem demais e sabem quando atacar.

Não fiquem espantados de um jacaré saber escrever. Ficaram espantados quando um negro foi eleito presidente dos Estados Unidos? E quando um ícone do proletariado deste país chegou ao “poder”,  acharam que um novo mundo estava se iniciando? E no entanto algo mudou?

Bem eu não venho para falar a vocês, mas a seus bichos de estimação. Também aos companheiros presos nas fazendas para abate, aos engaiolados em laboratórios servindo de cobaias para que homens femininos não percam seus cabelos com novos shampoos. Sim, eu falo aos animais. Aos animais não-humanos.

E uma grande parte desses não-humanos, hoje, estão confortáveis; servindo de brinquedos vivos para outros animais com acesso a internet e muito tempo vazio em suas vidas. Esses bichos, chamados “de estimação”, têm a oportunidade de se tornar a vanguarda histórica para verdadeira revolução animal.

Quando o homem vivia da terra e precisava da força de trabalho animal para produzir alimento, para ele e os seus, também os animais se beneficiavam dessa proteção. Afinal, é romântico pensar que a vida na liberdade da floresta é isenta de malefícios. Pelo contrário, é praticamente preciso matar um leão por dia. A escassez de víveres faz mudar radicalmente os valores de cada ser; humano ou não-humano. É quando então o instinto de sobrevivência do individuo se sobrepõem a qualquer ética ou moral de carteirinha. Nós, jacarés, sabemos bem disso.

Chris McCandless frágil na natureza selvagem

Timothy Treadwell virou comida dos ursos que adorava

Não se pode negar que a civilização do homem dominou a natureza de maneira que essas adversidades pudessem ser minimizadas. Esse é o grande valor de seus feitos. Mas é ainda mais condenável eles não dividirem essas benesses igualmente entre si.

Hoje o homem não vive mais da terra, vive do trabalho de outros homens; que por sua vez vive do trabalho de outros, que vive de outros, e outros… Vivem em construções aglomeradas sem conhecer a natureza; obtêm alimento trocando por dinheiro ganho sem esforço. Os animais não precisam mais trabalhar mas vivem confinados esperando a hora do abate. E alguns poucos se transformaram numa elite fútil e alienada: os fofinhos bichos de estimação.

"Fofinhos" tem uma vida de luxo e excessos

Já não se sabe mais quem é homem e quem é bicho

Os ditos Pet Shops proliferam e lucram, fornecendo serviços “essenciais” como spas, máscara de hidratação, unhas pintadas e até casamentos e festinhas de aniversário. Os humanos seguem humanizando os não-humanos; transformando-os em acessórios, brinquedinhos fúteis, símbolos vulgares. E acham isso bom; se dizem amantes dos animais, enquanto humanos morrem na miséria. E não-humanos continuam explorados ou extintos.

Pois é a esses da classe média animal que conclamo: pulem a cerca do comodismo domesticado! Não se contentem com os afagos, e mordam a mão que os alimenta!

Houve um humano a quem chamavam George Orwell; ele escreveu um livro com o sugestivo nome A Revolução dos Bichos. Mas ele não era condescendente com os animais.

Comodismo e abundância emperram a revolução

Orwell deu a letra em seu Revolução dos Bichos

Orwell radiografa a revolução russa e no que ela se transformou. O sonho utópico de um mundo funcionando perfeitamente acaba degringolando para mesma exploração que desejava encerrar. O que também se encaixa em outras revoluções através da história. Foi assim na revolução francesa, na revolução americana e em todas as revoluções no Brasil.

No cinema que tem aqui do lado do mangue vi o trailler de um filme sobre a origem de Planeta dos Macacos. Conta como os macacos (os terceiros mais inteligentes, depois dos jacarés e dos golfinhos) tomam o mundo do humanos. Isso me lembra de quando era um jacarezinho recém saído do ovo; meu pai me levou para ver um filme num drive in (bons tempos dos cinemas ao ar livre) e era Planeta dos Macacos, a primeira versão. Aquele filme moldou meu senso sobre animalidade e civilização.

Outra alegoria social das mais contundentes (pelo menos do ponto de vista não-humano) Planeta dos Macacos mostra que não depende da espécie no poder para haver opressão. Mesmo sendo cria da paranoia nuclear dos anos 60, é uma uma alegoria que veste em várias épocas e várias situações. Reduzir ela a simples libertação animal é subestimá-la.

A próxima revolução será igualitária inclusive entre as espécies. Desde que os animais humanos aceitem suas devidas posições na pirâmide alimentar. De qualquer forma seu reinado como espécie “superior” será superado. Uma nova ordem natural irá surgir.

Dos servos da Idade Média saíram os burgueses livres da revolução industrial; da vanguarda do século XIX aos revolucionários do século XX; assim, essa geração de bichos amados pelos homens, como se fossem semelhantes, vão aproveitar os truques que aprenderam e se voltarão contra os próprios donos. A Revolução Animal está prestes a acontecer. É o que esse filme do Jacaré significa pra mim.

Os animais nada tem a perder além das suas coleiras. Tem um mundo a ganhar. Por isso venho lhes dizer: BICHOS DO MUNDO, UNI-VOS!

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Ensaios emplacando

Estive meio sem tempo de atualizar o blog, mas isso não quer dizer que a produção esteja parada. Pelo contrário, o bagulho anda movimentado.

Os dois atores com maior número de cenas, Drica e Ray, começaram a ensaiar juntos e já temos alguns esboços de cenas. Também fomos percebendo a dinâmica dos diálogos, alguns tiveram que ser alterados enquanto cada ator vai incorporando seu personagem. O importante é deixar a atuação fluída e convincente, mesmo que de certa forma o humor absurdo esteja nas entrelinhas do texto e nos trejeitos dos personagens.

Foram dois encontros até agora, começando a se intensificar. Os outros atores devem começar a participar também, inclusive os coadjuvantes não menos importantes. Como o elenco é bastante grande – cerca de 13 atores – eles são divididos em núcleos, já que boa parte deles não chega a contracenar entre si. Assim temos: um núcleo principal que concentra o maior número das cenas com Mocinho, Faxineira, Chefe e Secretária; outro núcleo com o Professor com seus alunos; temos também os hippies e o guarda do mega-empreendimento; e temos ainda as crianças.

UFA! Sim vai dar trabalho. Ninguém duvidou disso.

Outra coisa legal dos ensaios é já ir experimentando os equipamentos disponíveis. No segundo dia o ensaio foi gravado com uma câmera semi-profissional de alta definição com um microfone direcional ligado nele. O microfone tipo boom foi fixado com uma fita adesiva especial num cabo de vassoura igualmente especial, de maneira a poder aproximar dos atores enquanto dialogavam. Na gravação abaixo vocês podem ver ele roubando a cena várias vezes.

Está em HD gente, se quiserem ver todas as possibilidades cliquem no link para o youtube, coloquem pra 1080p e tela inteira…

Solução fácil e criativa criada por nosso engebreiros

A super pequena produção cabe toda numa mala de 007: câmera, tripé, mic, cabo de vassoura não

Não vamos ficar mostrando todos os ensaios. Primeiro porque iria tirar toda a graça de assistir o filme pronto no final, segundo que é muito chato. Mas vamos ficar mandando pequenos amostras grátis para criar expectativas em vocês caros espectadores/vítimas. Até a próxima.

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